Quais as perguntas mais frequentes do consultório ginecológico?

31/05/2021
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Você também chega na consulta cheia de perguntas ao ginecologista? A ginecologia tem como foco a saúde da mulher, mas é uma especialidade bem ampla. 

Além de responsável pelo diagnóstico e tratamento de doenças, o ginecologista também acompanha os cuidados com a saúde feminina desde a puberdade, até a menopausa. E ele ainda tem um papel muito importante no preparo para uma possível gravidez, durante a gestação, e no pós parto. 

Desta forma, é bastante comum as mulheres chegarem no consultório com uma lista de perguntas ao ginecologista. As dúvidas que mais recebo costumam ser sobre fertilidade, cólicas, e doenças, como a endometriose. Talvez você também se questione sobre estes temas, então listei as cinco perguntas mais frequentes entre as minhas pacientes e as respondi no texto abaixo. Espero que ele te ajude a compreender melhor o seu corpo e o cuidado com a sua saúde!

 

Na dúvida sobre como escolher o seu ginecologista? Clicando aqui eu te conto quais fatores você deve considerar ao escolher o seu médico. 

 

Pergunta nº 1:

“Doutora, eu vou poder engravidar?”

Acredito que esta seja uma das mais frequentes perguntas ao ginecologista. Para sabermos se uma mulher poderá engravidar, a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é que mulheres abaixo de 35 anos tentem por um ano. E aquelas com mais de 35 anos devem tentar durante seis meses. 

Antes ou durante este período não deve ser realizado nenhum rastreamento, pois neles podem aparecer pequenas alterações que acabam gerando ansiedade na paciente, o que prejudica a fertilidade. 

Passado esse período, caso a paciente não consiga engravidar, o primeiro passo é avaliar possíveis alterações orgânicas. Neste caso checamos se existe alguma disfunção na tireoide e nos hormônios sexuais, que podem impactar no funcionamento dos ovários ou na ovulação. 

Também são avaliadas questões anatômicas da fecundidade, como miomas e endometriose. A partir desta conversa detalhada, e de um exame físico bem minucioso, fazemos exames complementares. 

São eles o ultrassom transvaginal, o espermograma (no caso dos homens), exames laboratoriais focados na parte hormonal, e um exame chamado histerossalpingografia. Este exame serve para identificar se existe alguma obstrução do útero que possa estar impedindo o óvulo de encontrar o espermatozoide.

 

Pergunta nº 2: 

“É normal ter cólica?”

A cólica normal é a cólica da ovulação, que ocorre cerca de duas semanas depois do período menstrual. Mas se você tem muita cólica durante a relação sexual, a sua menstruação é muito dolorosa, tem sangramento aumentado, desconforto para evacuar, ou está com dificuldade para engravidar, essa cólica pode ser um sinal de doença.

Nestes casos, é preciso fazer uma investigação. Eventualmente podem ser feitos exames como um ultrassom com protocolo para endometriose, ou uma ressonância magnética. Nem toda cólica é doença, mas se a cólica está fora do período da ovulação, precisa ser investigada.

 

Você sabe como ocorre o ciclo menstrual? Clique aqui e entenda como o seu funcionamento é importante para a sua saúde.

 

Pergunta nº 3: 

“O hormônio engorda?”

Quando a mulher entra na menopausa, ela tem um déficit progressivo nos hormônios. Essa mudança leva a menos ganho de massa muscular e mais acúmulo de gordura, principalmente na região abdominal. Nestes casos, a reposição hormonal, com hormônio bioidêntico, na dose adequada, combinada com um estilo de vida regrado, evitaria o acúmulo de gordura. 

O hormônio que pode culminar em um acúmulo de gordura é a pílula anticoncepcional oral. Isso ocorre porque ela diminui a testosterona livre e faz com que a paciente tenha menos ganho de massa muscular. 

 

Pergunta nº 4: 

“Tenho ovário policístico ou endometriose. É verdade que não vou conseguir engravidar?”

Outra perguntas ao ginecologista que aparece muito nas consultas. Essas duas situações são mitos. Muitas pacientes que têm ovário policístico e endometriose podem engravidar. Na verdade, é comum observarmos estas duas doenças coexistirem. O que acontece no caso destas pacientes é que, quando a doença está desequilibrada, há uma incidência maior de infertilidade. 

Por exemplo: de cada 10 mulheres que não conseguem engravidar, cinco têm endometriose. Mas, na medida em que a doença tiver um diagnóstico precoce e sejam tomadas as medidas oportunas, é possível que a paciente consiga engravidar sem grandes intervenções.

 

Pergunta nº 5: 

“A pílula anticoncepcional trata a endometriose?”

A endometriose é uma doença autoimune e inflamatória. Além disso, ela é progressiva enquanto a mulher está no período fértil, e dependente de um hormônio chamado estrogênio. Desta forma, quando pensamos em um tratamento específico para a endometriose, utilizamos medicamentos com ação antiestrogênica, coisa que a pílula não é capaz de fazer.

A pílula bloqueia temporariamente o funcionamento dos ovários, mas ela não inibe o estrogênio do corpo da mulher. Tanto que um dos lugares que se produz muito estrogênio é na gordura. Ou seja, o tratamento efetivo para a endometriose são medidas antiestrogênicas. 

Alguns exemplos destas medidas são:

  • Alimentação saudável, livre de agrotóxicos e com redução de hormônio;
  • Redução do uso de plásticos, principalmente de garrafas pet e recipientes plásticos aquecidos no microondas; 
  • Um estilo de vida mais regrado, com atividade física, pela sua ação anti-inflamatória; 
  • E a modulação de estresse. 

 

Quer saber mais sobre os implantes hormonais? Clicando aqui você acessa um conteúdo onde te explico como eles funcionam e quais os seus benefícios.

Espero ter te ajudado com as suas dúvidas! Você pode conferir mais conteúdos aqui do blog e me acompanhar também no Facebook, no Instagram e no Youtube

Até o próximo artigo!

Dra. Patricia Bretz é Ginecologista, obstetra, especialista em Oncologia Ginecológica, Endometriose, Cirurgia minimamente invasiva, Implantes hormonais e Reprodução humana

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